quarta-feira, 25 de abril de 2012

Maicon Sérgio: Homilia 24/04/2012

Maicon Sérgio: Homilia 24/04/2012

Homilia 24/04/2012

Jo 6, 30-35  
“Eu sou o pão da vida”

Palavras de Jesus a uma multidão interesseira que acorria a ele em Cafarnaum, palavra de Jesus a nós aqui hoje, tão interesseiros quanto eles.
Palavras não tão fáceis de entender, complexas, mas importantes de serem refletidas.

O Evangelho de hoje é uma continuação do evangelho de ontem, estamos no capítulo 6º do livro de João, onde no versículo 28, depois de terem tomado um puxão de orelha de Jesus, a multidão pergunta: “Que devemos fazer para realizar a obra de Deus?”; “A obra de Deus é que creiam naquele que ele enviou”.

Parece que o povo compreendeu, mas continuando a leitura do Evangelho, proclamado hoje, numa linguagem atualizada a multidão responde: “O Sr. deve nos mostrar mais milagres, se quiser que nós creiamos que o Sr. é o Messias. Dê-nos pão de graça todos os dias, como os nossos pais tiveram enquanto viajavam pelo deserto”

Percebem o interesse, aquela multidão entende que Jesus falou das “obras de Deus” que se realiza por seu intermédio, naturalmente pensam em Moisés e nos prodígios que ele realizou no passado para comprovar sua missão, comprovar que ele era um escolhido por Deus. Da mesma forma, como o Pe. Flávio já falou ontem, o povo pede “sinais” que deem certeza da autoridade de Jesus, de forma implícita na fala deles, eles provocam Jesus a fazer, “as obras” que Deus fez aos antepassados, como o maná.

E Jesus acolhe o argumento deles, e vai contrapor o maná com o seu pão, o pão da vida. Dá para fazer uma alusão ao Evangelho de ontem, o maná, alimento que se perde; Jesus, o pão da vida, o alimento que permanece a vida eterna.

Aquele que vai a esse alimento eterno, que Jesus vai aludir mais para frente no Evangelho primeiramente aos seus Ensinamentos e posteriormente a Eucaristia, não terá mais fome; e aquele que crê em Jesus, não terá mais sede. Seremos assim completos, homens totalmente preenchidos, segundo Jesus.

E será que todos nós aqui, nos sentimos assim, completos, totalmente preenchidos. Nós que deixamos tudo e o seguimos. Eu, particularmente não.
Essa não é a primeira vez que ouvimos essa passagem, pelo contrário... e olhando as misérias de nossas vidas, não digo de todos é claro, nós viemos a fonte e ainda continuamos com sede e fome.

O que nos falta então? Jesus pede para ir ao seu encontro, “aquele que vem a mim...”, mas não ir como aquele povo interesseiro indo atrás da comida. Aliás, eu disse que no começo da reflexão, que nós também somos interesseiros, porque temos os nossos interesses, interesses bons na maioria das vezes, grandes anseios, objetivos, mas ás vezes objetivos pessoais, que não vão ao encontro do próximo, de auto realização, que tornam dessa forma nossa caminhada mais difícil.

E não é fácil lidar com essa luta, entrave que há dentro de nós, escolher entre o que é eterno e o que é próprio desse mundo, a escolha parece óbvia, um valor é superior ao outro. Mas infelizmente o que é deste mundo é mais fácil e atrativo. O importante é ter em mente, que estamos numa caminhada e que somos convidados a percorrer esse caminho com paciência, fortaleza e confiança em Deus.

O que nos falta mais, para não sentirmos mais sede e fome? Jesus pede para crer nele: “aquele que crê em mim”. E crer é uma resposta obediente, consciente e livre ao apelo de Deus que se manifesta a nós por amor. É um ato de fé. Não somos Tomé ou este povo que dialogava com Jesus, que pedimos sinais, acreditamos mesmo sem termos visto, este é um ponto positivo para nós.

Quando nós cremos no Pai, Filho e Espírito Santo, nós realizamos o ato mais significativo de nossa existência, alcançamos a certeza da verdade plena e decidimos viver nela.

Somos assim convidados a dizer não da boca pra fora, como disse a multidão a Jesus, mas com nossas vidas: “Senhor, dá-nos sempre deste pão”, este pão que é a tua palavra, seus ensinamentos, e principalmente o seu corpo e sangue na Eucaristia, alicerces em nossa caminhada rumo ao sacerdócio, mas primeiramente, como verdadeiros cristãos.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Homilia 27/09/2011 - Lc 9, 51-56

Ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém


Acredito que não há como negar hoje o elemento principal da leitura, salmo e evangelho: a cidade de Jerusalém. No contexto histórico em que ouvimos sobre ela hoje, Jerusalém é a cidade escolhida, um símbolo da presença de Deus. Num outro aspecto, a capital, o centro do governo e da justiça. Jerusalém é a cidade onde está o templo, onde Deus está presente no meio de seu povo, ele que o abençoa e o protege. Em outro aspecto ainda, numa espécie de simbolismo escatológico, Deus reinará em Sião.

Pois bem, Lucas dá uma ênfase e constrói como nenhum outro evangelista, esse caminho, ou subida de Jesus para Jerusalém, que começa aqui no evangelho proclamado de hoje.

Jesus percebe que é chegado o tempo de sua assunção, o verbo não é deste mundo, é hora de cumprir sua missão e voltar ao Pai. A decisão é dura, e é essa decisão que levará Jesus as portas da cidade de Jerusalém, não só para concluir sua missão, conhecemos a sua morte violenta, mas é de Jerusalém  que a salvação de Deus se expande ao mundo inteiro, por obra do Espírito Santo, como o Evangelista Lucas continua sua narração no Atos dos Apóstolos.

O caminho mais rápido e direto de onde Jesus e seus discípulos estavam, a Galiléia, para Jerusalém, passava justamente pelo centro da Palestina, região dos samaritanos.

Esta viagem começa com quando Jesus manda seus mensageiros à frente para preparar, com certeza, alojamento e algum espaço para encontro com as pessoas. Mas, ao passar por um povoado da Samaria, Jesus não foi acolhido, não quiseram recebê-lo. Os samaritanos rejeitam Jesus. Esta rejeição vem de antigas mágoas dos samaritanos contra os judeus. Havia muita intolerância entre esses dois grupos. Os samaritanos eram compostos por diferentes culturas e por um sincretismo religioso, mas observavam a tradição do Pentateuco. Os judeus os consideravam hereges e cismáticos, pois eles construíram um templo no centro da Palestina, que concorriam com o templo de Jerusalém.

Diante da rejeição, vem aqui sempre o fraco lado humano, os apóstolos não se conformam. “Os filhos do trovão” se revoltam e querem logo acabar com aquela gente. Mas nós os compreendemos, compreendemos o desejo do homem, de sucesso, o reconhecimento. Os apóstolos mesmo convivendo com Jesus, não o compreendiam muito bem, pois tinham a visão judaica de que o messias seria o rei libertador, salvador que iria aqui mesmo instaurar o reino de Deus. Não entenderam o programa de Jesus, nem sabem para onde ele se dirige.
Mas nós também não gostamos de que rejeitem a Cristo, nós sabemos que ele é a verdade, que é aquilo que todos nós procuramos. Que Jesus é vida, mesmo se viramos as costas para ele.  E que ele é Caminho, e seus caminho não atende aos falsas expectativas alimentadas pelos desejos humanos como o sucesso e prestigio.

Fica aqui muito destacado, a impaciência dos apóstolos. Jesus os repreende. E assim nos repreende também, quando não aceitamos a condição de que para segui-lo nessa caminhada devemos ser pacientes. Pacientes por tudo aquilo que está acontecendo, paciência pelo que ainda virá, paciência diante da falta de sucesso, paciência diante das dificuldades.

Como missionários, nós anunciaremos, ou melhor já anunciamos esse Jesus, e essa leitura nos lembra, que como aqueles samaritanos, ninguém é obrigado a aceitá-lo, de tê-lo como salvador. Crer em Cristo é uma opção pessoal, uma resposta obediente a Deus de quem encontrou a verdade.

Na biografia de São Vicente de Paulo consta que aos dezenove anos, foi ordenado padre e, antes de ser capelão da rainha Margarida de Valois, ficou preso durante dois anos nas mãos dos muçulmanos. O mais curioso é que acabou sendo libertado pelo seu próprio “dono”, que, ao longo desse período, Vicente conseguiu pacientemente converter ao cristianismo

O caminho para Jerusalém permite o início de nossa Igreja, no Pentecostes, e dai por diante a pregação apostólica. Com paciência dos apóstolos, podemos ler em At 8, que a Samaria através da pregação especialmente de Filipe, “transbordava de alegria e havia acolhido a palavra de Deus.”

Como no último versículo da leitura de Zacarias de hoje, nossa postura e testemunho de fé, deve então ser aquela convicta para dizer a Jesus no Caminho a Jerusalém,o caminho à glória, “Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco”.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Homenagem Pe. Maurílio - 80 anos 19/04/2011

Querido Padre Maurílio,

Hoje nós comemoramos seu aniversário de 80 anos. E o que são 80 anos? Eu não sei, tenho exatamente apenas um quarto dessa idade. Em números 80 anos são: 960 meses, 4.080 semanas, 29.220 dias. Mas se tratando do Sr. o que são números, quando olhamos sua vida, sua experiência, sua história?

Sabemos que o Sr. gosta de estar longe dos holofotes, mas nos compreenda, hoje é dia de relembrar, de olharmos para sua face e agradecermos tudo que fez e têm feito por nós, hoje é dia celebrar a vida.
Definir quem Tu és é difícil. Ver tudo o que fez e faz, já é mais fácil.

Padre Maurílio, missionário além-fronteiras, homem de cabeça dura e gênio forte, isso é consenso entre todos, mas é consenso também, que esse italiano de personalidade marcante é um pai na vida de muitos que cruzaram seu caminho, seja como um pai espiritual, ou no meu caso, como um segundo Pai, pois tenho a honra de ser teu afilhado. Aliás, “padre quer dizer pai, pai que têm muitos filhos”

És pai que faz jus ao título, pois é aquele que educa, nos mostra passos que devemos seguir e como devemos caminhar, nos dá os puxões de orelhas necessários e está ao nosso lado quando precisamos, ou até, quando nem sabíamos que precisávamos.

Um pai que nos conduz a nossa mãe, a santa Igreja Católica, mostrando a todos, “um novo jeito de sermos Igreja”, nos mostrou uma face da Igreja que não conhecíamos, uma Igreja que se preocupa com os problemas sociais do povo, que quer estar ao seu lado e quer que todos levem uma vida digna, para isso o Sr. soube mobilizar o próprio povo a buscar e lutar por seus direitos.

O que são 80 anos?
São 52 anos de vida sacerdotal, de incansável trabalho, de pouco descanso. São 41 anos como missionário além-fronteiras, tendo sempre como campo de missão o Brasil, terra que soube lhe acolher, e o Sr. soube entender nossa realidade.

São uma dezena de comunidades fundadas, de postos de saúde, de projetos sociais, de mobilizações comunitárias, de creches, de um centro de formação profissional para jovens, e até de um hospital, como o Sr. sempre ressalta, não como vontade sua, mas como expressão da força e luta do povo.
É claro que sua disponibilidade aos pobres é sua marca registrada, mas não somente. Para mim, Padre Maurílio Tarcísio Maritano, é o rosto do PIME – Pontíficio Instituto das Missões Estrangeiras - e se quero ser missionário desse instituto, é por seu exemplo.

Padre Maurílio,
Nesse momento o Sr. está rodeado de pessoas que o amam e o apreciam, e querem celebrar a vida: a sua vida, porque o Sr. faz parte da vida delas e elas fazem parte da sua. Saiba também que muitos que te amam, gostariam de estar contigo também, penso em seus pais, o quanto devem se orgulhar agora, penso em nossos irmãos italianos, do outro lado do oceano, penso no povo de todas as localidades que esteve enquanto sacerdote e missionário no Brasil, seja no Paraná, em Brasília ou em São Paulo, penso em mim, que a distância me impede de te dar um abraço pessoalmente, receba-o no abraço de minha família a qual tanto amo, e o Sr, também faz parte. Penso em nós, pois um dia em minha primeira eucaristia, minha mãe lhe disse que eu pensava em ser padre, eu vermelho de vergonha, e o Sr. dizendo: “Olhe, não há caminho mais feliz na vida. Se eu nascesse de novo, seria padre novamente, continue pensando”
Somos nós, ó padre, que lhe agradecemos por sua vida e sua vocação. PARABÉNS!

De seu indigno, paroquiano, seminarista, afilhado e amigo: Maicon.